julho 05, 2007

Ansiedades


Ontem estive com duas pessoas que estavam preocupadas com as modificações na sua empresa e com aquilo que o futuro lhes reservava. Fomos comentando que esses momentos de incerteza são sempre complicados e criam ansiedade e stress e depressões e desgaste e cansaço e… ufa!

Mas a questão é: quando é que os momentos que vivemos não são de incerteza? Quando é que podemos dizer que alguma coisa é permanente? Quando é que podemos dizer que o que nos espera é certo?

Não podemos. Viver é, só por si, uma incerteza. Não sabemos o que nos vai acontecer amanhã, não sabemos quem vamos perder, o que vamos perder, quem vamos ganhar, o que vamos ganhar, se nos vamos perder ou se nos vamos encontrar. Não sabemos nada de nada. A única diferença é que num momento de mudança sabemos que alguma coisa vai acontecer para breve e mesmo esse acontecimento pode ser bom ou mau.

Então para quê sofrer com as incertezas de um determinado momento? Porque não tentarmos viver tudo com a certeza que nada é permanente e que o que hoje é verdade amanhã pode ser mentira, o que hoje é bom amanhã pode ser mau, o que hoje vale a pena amanhã pode não valer. Mas também com a certeza que aquilo que hoje é mentira amanhã pode ser verdade, o que hoje é mau amanhã pode ser bom, o que hoje não vale a pena amanhã pode valer.

Na realidade o que as pessoas têm mais medo é da mudança. Porque têm dificuldade em sair da sua zona de conforto que nem sempre lhes traz felicidade, ou alegria, ou tranquilidade mas que é conhecida e, aparentemente, segura.

Vale a pena arriscar e esperar que ao virar da esquina se revele mais qualquer coisa daquilo que vai ser a nossa vida. E, já agora, vamos contar que o que está ao virar da esquina é bom e positivo. É que, na realidade, se soubermos apreciar cada momento e soubermos tirar as lições necessárias, tudo o que vivemos vale a pena ser vivido!!

6 Comments:

Anonymous Anónimo said...

"Nada é permanente, salvo a mudança"(Heráclito)

Habituamo-nos a tudo, mas o processo de passagem para outra situação, para outra condição é que é o mais complicado, sobretudo quando é vivido com muita antecipação, daí o medo, o medo do desconhecido...

julho 05, 2007 12:18 da tarde  
Blogger OMAIA said...

"Porque não tentarmos viver tudo com a certeza que nada é permanente e que o que hoje é verdade amanhã pode ser mentira, o que hoje é bom amanhã pode ser mau, o que hoje vale a pena amanhã pode não valer. Mas também com a certeza que aquilo que hoje é mentira amanhã pode ser verdade, o que hoje é mau amanhã pode ser bom, o que hoje não vale a pena amanhã pode valer."

???

Não estaremos a ficar um pouco niilistas?... ;)

julho 05, 2007 2:12 da tarde  
Blogger Salseira said...

Ora bem,

Niilismo ontológico - doutrina que nega a existência de qualquer realidade substancial.

Por aqui, talvez. Porque não há uma só realidade. Há várias, a de cada um de nós.

Niilismo crítico - doutrina que nega a existência da verdade.

Por aqui, talvez. A verdade não existe, existem várias verdades.

Niilismo ético - doutrina que não ceita nenhuma norma moral.

Quem define a norma moral? A Igreja? Que Igreja? O Estado? Qual estado. No entanto, tem de haver ética no relacionamento com os outros, com tudo o que nos rodeia e com nós próprios.

Niilismo político ou anarquismo - doutrina que não aceita nenhuma coerção sobre o indíviduo. Que nega a necessidade de Estado.

Aqui, não tem nada a ver. Eu não nego a necessidade do Estado. Mas gostaria que ele não fosse necessário!

Olha, Zeni, parece que, pelo dicionário da Porto Editora, sou niilista!! :D

Priminhos,

É tão bom ver-te por aqui outra vez!!!!!

julho 05, 2007 4:10 da tarde  
Blogger OMAIA said...

E que bom ver o que uma "provocação...zita" faz pela cultura de todos nós!

Vejo que estás em forma..., e cada vez mais "anarca" ;)

Bjs.

julho 05, 2007 5:38 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

"Assim a vida passa, vagarosa: o presente a aspirar sempre ao futuro, o futuro uma sombra mentirosa" - Antero de Quental

Qual niilista, qual quê! Tu és prática. Basicamente o que retiro do teu tópico é que é uma perda de tempo sofrer por antecipação.

Fati

julho 06, 2007 1:29 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Antes niilista do que narcisistas...uffff!

Sofro de estados de ansiedade, mais isso é de família :( não é a mesma coisa.

O mundo não anda para brincadeiras, o que referes é sério...a diferença está em como encaramos o "bicho de sete cabeças"...

Beijinhos

julho 06, 2007 4:07 da tarde  

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