maio 24, 2006

A Ficção e a Realidade

É legítimo um livro de ficção misturar factos históricos reais com factos históricos ficcionados sem que o leitor se aperceba do ponto onde começa um e acaba o outro?
Deverá o seu autor indicar que esta situação se irá passar durante a acção do livro?
Como já disse eu gostei muito do Código da Vinci. Achei que ele escreve uma história de suspense com mestria e gostei do tema. No entanto, durante toda a leitura estive sempre na dúvida (e ia pesquisando) se o que estaria a ler seria verdade ou mentira.
Eu tenho, felizmente, instrução, conhecimento, acesso a informação (e um Pai fantástico), e por isso consigo questionar-me e ir investigar. Mas nem todos o conseguirão. Será justo para estes estarem a ler algo que pensam ser real porque ninguém lhes explicou que nem tudo era o que parecia ser?
Tudo isto são questões que eu me levanto e para as quais não tenho respostas claras. Tenho tendência a achar que deverá ser dada uma informação do autor mas não tenho a certeza.
O que acham?

9 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Sim, é verdade: quem lê uma história de ficção pode não saber exactamente o que isso significa...

Na minha opinião, um autor pode dar uma explicação prévia, mas não tem necessariamente de o fazer. Trata-se de uma história e não de um livro didático do estilo "como interpretar e ler uma história de ficção"!

É simpático, quando um autor esclarece, geralmente no fim, quais são os factos reais. Mas o autor até pode não querer dar explicação nenhuma, e está no seu direito!

maio 24, 2006 2:10 da tarde  
Blogger Salseira said...

Só um esclarecimento:

Quando falo em informação do autor não me refiro propriamente a ele indicar o que é verdade e o que é ficcionado. Apenas uma informação alertando para o facto de nem todos os factos serem reais.

maio 24, 2006 3:23 da tarde  
Blogger OMAIA said...

Quanto à problemática deste "Código", é preciso ver que ele há três géneros, quatro talvez: o ensaio, o romance histórico, a ficção e a mistificação...
Um destes dias vou publicar aqui um "ensaio sobre o sagrado", ou uma "mistificação sobre os orfãos de Deus"...

maio 24, 2006 4:59 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Salseira, eu tal como tu tenho a sorte de ter um Pai fantástico (melhor dizendo, Padrasto) e como tal fui ensinada a não acreditar em tudo o que é escrito.

Uma das piadas de ler um livro (ou ver um filme!)é isso mesmo: o alerta para tentarmos descobrir se o que o autor escreve existe, em que se baseou, se descreve métodos eficazes para fazer determinadas coisas... por ex., quando os meus Pais viram o Padrinho (já não sei qual) andamos várias refeições (intercaladas) a comer almondegas com esparguete feito a partir de uma receita que é descrita no filme! E não é que é deliciosa? Já na semana passada, ao tentar matar o meu marido com digitalina, seguindo um médoto descrito pela Agatha Christie, só lhe consegui arranjar uma dor de barriga...

Oooops... a autora desta mensagem esclarece que parte da mesma é ficção, pois não é casada.

Helena de Fátima

maio 24, 2006 5:49 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Lembram-se dos livros da "Patrícia"? As aventuras de um grupo de adolescentes que desvendavam crimes?
Até hoje me lembro de um assassínio por ingestão de sementes de maçã, em grandes quantidades!! Diz o livro que contêm cianeto e que muitas sementes podem matar uma pessoa.
Custa-me e custou-me a acreditar, mas a verdade é que não fui investigar para saber até que ponto era verdade!!

maio 25, 2006 10:24 da manhã  
Blogger LUIS MIGUEL CORREIA said...

Salseira,

Acho legitimo que uma obra de ficção seja isso mesmo, uma história enredada entre a realidade e uma semi-fantasia que se confunde com a própria realidade. Foi o que fez o autor do Código Da Vinci. Li o livro - por acaso uma edição em francês emprestada durante uma longa viagem além Atlântico, e gostei. Mas sinceramente gosto menos do espectáculo e filosofia associada ao conceito de "best seller". Uma massificação pseudocultural que essencialmente potência lucros... sempre o dinheiro...

Em paralelo, muitas das páginas da história "oficial" do mundo são provavelmente tão fantasistas como o CDV... Há sempre uma tentação irresistivel de ir rescrevendo a história ao gosto dos interesses instalados...

junho 01, 2006 3:09 da tarde  
Blogger Salseira said...

Luís,

A História é escrita pelos vencedores, né?

Como seria contada a 2ª Guerra Mundial se a Alemanha tivesse ganho?...

junho 02, 2006 10:28 da manhã  
Blogger escorpiaotinhoso said...

Se a Alemanha tivesse ganho, ou melhor, se os nacional-socialistas tivessem ganho, a história seria supostamente muito feia, não achas, salseira?

Beijinho

ET

junho 04, 2006 3:42 da tarde  
Blogger Salseira said...

Totalmente de acordo Escorpião! :)

junho 05, 2006 9:59 da manhã  

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